Atalhos de Campo


9.4.16

banalização

o súbito aparecimento da  imagem de um pássaro morto pode ser 
mais chocante do que o de uma pessoa morta

6 comentários:

  1. Nem sempre um pássaro é só um pássaro.

    Beijos, Teresa :)

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    1. "A morte de uma mosca é a morte. É a morte em marcha em direcção a um certo fim do mundo, que alarga o campo do último sono. Vemos morrer um cão, vemos morrer um cavalo e dizemos qualquer coisa, por exemplo, coitado do bicho... Mas se uma mosca morre... não dizemos nada, não tomamos nota, nada."
      Marguerite Duras/ escrever

      É isso mesmo, qualquer morte é todas as mortes. Chorar por um pássaro é o mesmo que chorar por todas as mortes.

      Beijos, Maria.

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  2. no mesmo dia em que um irmão morreu, ao outro morreu-lhe um pássaro, embatendo-lhe no carro. sem saber ainda da morte do irmão, chorou copiosamente a morte do pássaro. não soube justificar tal comportamento, até que horas mais tarde, recebe o telefonema.

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    1. "Ainda te vejo: a ti. A própria Criança. Morta como um pássaro, de morte eterna."
      Marguerite Duras/ A morte do jovem aviador inglês

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  3. o seu comentário à doce Maria Poesia, lembrou-me uma passagem (ainda) da Morte de um Apicultor:

    «A morte de um enxame sente-se quase como a morte de um animal. É uma entidade que deixará saudades, como se fosse um cão, ou, pelo menos, um gato. Mas a morte de uma abelha deixa-nos completamente indiferentes.»

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    1. continuando, a duas vozes:

      "Essa, a que eu tinha visto, estava morta. Lentamente. Tinha-se debatido até ao último sobressalto. E depois cedera. Talvez tenha durado entre cinco e oito minutos. Tinha sido demorado. Fora um momento de pânico absoluto. E foi a partida da morte em direcção a outros céus, a outros planetas, a outros lugares."
      Marguerite Duras

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