Atalhos de Campo


19.4.16

As falas de Teresa (10)

João:
O arbusto ou a pedra aparecida em qualquer sonho pode ficar indiferente à vida de que está participando? Pode ignorar o mundo que está ajudando a povoar? É possível que sintam essa participação, esses fantasmas, essa Teresa, por exemplo, agora distraída e distante? Há algum sinal que a faça compreender termos sido juntos, peixes do mesmo mar?

João Cabral de Melo Neto/Os Três Mal-Amados


Criei intolerância à morte violenta, à agressão gratuita; nauseia-me a ambição, repugna-me a maldade, desprezo a mentira. Isolo-me, fotografo sem cessar, escrevo no diário. Enfio-me dentro das imagens que capto, para que marquem bem as folhas. Estas são flores de ontem, à beira do caminho. Quando passares por aqui vais senti-las como pedras vivas, para sempre, mesmo depois de cortadas. Foram elas que tingiram os atalhos, como aguarelas dos dias, da solidão. Quero que fiquem. São o meu auto-retrato. Fomos peixes do mesmo mar, mas nunca conseguimos nadar juntos. Como poderia eu acompanhar-te, se o meu estilo é mariposa?  

2 comentários:

  1. E agora, o que ficava mesmo bem, era escrever-lhe que o meus estilo é livre. Mas, na verdade, sempre preferi costas.

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    1. Teve graça, Outro Ente, mas eu acho mesmo que o seu estilo é tão livre como o meu mariposa.

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