Atalhos de Campo


30.4.16

anoiteceu



























É assim, creio que será sempre assim, porque é ainda assim, agora que vivo entre vinhas, em terra de nevoeiros matinais, e passeio quase sempre não de manhã mas no pino das tardes de Inverno ou, quando está tempo quente, no momento em que o sol cai para lá da encosta do vale e ilumina o cimo das árvores do outro lado com uma luz que só então, nesse momento derradeiro, parece porvir de um sítio e ter uma origem, o momento em que as árvores, bichos e homens suspiram de alívio com a chegada da noite.

Paulo Varela Gomes/ Moscovo e Hong Kong

6 comentários:

  1. Magnífico, esse anoitecer. Um céu todo ele textura.Um sol teimoso a aproveitar derradeiros minutos de glória. :)

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    1. E a raiva que dá quando assistimos a tudo isto sem uma máquina fotográfica, para testemunhar o que tão bem descreves, luisa. :)

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  2. Anoiteceu? A luz não se apagou, apenas baixou. Percebo o autor. Eu também gosto de fazer esses passeios, quando a luz amortece, nos abriga, e nos acolhe. Tudo abranda, há uma acalmia na atmosfera, é o afrouxar consentido até ao próximo irromper.:)

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    1. Só que para ele não houve "próximo irromper", Madalena, morreu nesse dia, aos 63 anos, com um cancro.

      Um beijinho

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  3. Sim, Teresa, isso sabe-se, foi noticiado, mas o texto é muito mais do que isso. É preciso beber-se o campo, para se ter impressões tão nítidas e lúcidas. E isso é o que resta depois de tudo. Houve com certeza muitos "irromper".

    Beijinhos:)

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    1. Ele era um homem lúcido, amava o campo e os bichos, e fez alguma coisa em prol disso, estou-lhe grata; este post é uma espécie de homenagem de alguém que entende assim (também) a passagem para a noite. Nada mais.

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