Atalhos de Campo


5.3.16

hipnotismo


(Nova Zelândia: vista aérea de rebanho em mudança de pastagem)

A verdadeira passividade não é a do esquecimento
mas a mortal velocidade do desejo
que ninguém suporia a hora alguma

há um segredo comum àqueles desconhecidos
que esbarram um no outro por puro acaso
um olhar branco, um rosto que se volta
e depois no mundo nunca mais se encontram

Eu por mim nunca sei
se estou irremediavelmente longe ou demasiado perto de Deus
às vezes pergunto-me quantas vezes o corvo deverá
bater as asas negras
entre o meu corpo e o seu

José Tolentino Mendonça

14 comentários:

  1. "Deixa que a respiração profunda do teu Ser aconteça. Só isso. Não interrogues, nem busques.
    Deixa que seja Deus a procurar-te. Não caminhes. Deus virá ao teu encontro. Não procures contemplar. Permite, antes, que Deus te contemple. Não rezes. Deixa que em silêncio, Ele reze o que tu és."

    José Tolentino Mendonça, in Um Deus que Dança

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    1. "Caminhos plausíveis
      espelhos
      enganadores"

      José Tolentino Mendonça

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  2. Respostas
    1. A melhor maneira de ser pastor é ter o próprio rebanho, Manel. Agora os cães estão a deixar os pastores no desemprego, e até já com drones orientam os rebanhos...mas com oito braços és competitivo, não desanimes :)

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    2. podia entrar pro negócio da tosquia... tenho muita prática... e oito braços, só que por aqui nã me parece que haja ovelhas suficientes...

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    3. É um bom negócio: os tosquiadores trocam a tosquia pela lã (e são muito rápidos); mas é um trabalho sazonal...depois podes arranjar um tear manual e fazer camisolas; com tantos braços vais despachar imenso trabalho, mas não te enganes no número de mangas :)

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  3. Pois a mim, apetecia-me ser pastoreada, não ter que decidir, deixar-me levar tranquilamente.

    Beijo de boa noite, Teresa :)

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    1. Se te compreendo, Maria! No entanto quem tem as rédeas dificilmente admite perdê-las; só mesmo em sonho...

      [Aqui o nosso polvo quer ser pastor, quem sabe chegam a um acordo. :)]

      Beijo Maria, e boa noite.

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  4. Ele Está, Ele é, Uno,
    em Mim, em Ti, no Outro,
    na Erva, no Mar,
    no Céu, na Pega-Rabuda,
    na Canção Genuína,
    no Embalo,
    na Risota e no Risotto,
    na Palavra que se Escolhe,
    no Poema que se Envia,
    na Leveza que Liberta,
    no Coração quando Cresce,
    na Ousadia que Desformata,
    Ele Está, Ele É, Uno,
    Connosco, Num Só.

    Com um beijinho
    Madalena

    Pelo menos, por estes atalhos, podemos ser tudo. Podemos pastorear e ser pastoreados e rir, a bom rir,
    como só, e se no cume da montanha estivéssemos.:)

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    1. Grande veneta! Já estou a ver que temos poeta. Ainda bem que estes atalhos são divertidos, querida Madalena. Rir faz bem ao risoto e à risota, e também à compota. Rir no alto da montanha como se ninguém nos estivesse a ouvir.:)

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  5. O pasto é teu, Teresa. O risotto e a risota também. Só a compota é que não, mas nem sequer os ingredientes eram meus. A culpa é toda do Tolentino, está visto.

    A vista aérea do post, fez-me lembrar a plantação de arroz no Japão. Os desenhos conseguidos com quatro plantas de cor diferente, é admirável. Só os orientais. Contudo, o desenho de contorno sinuoso e imprevisível da manada em movimento é duma beleza arrasadora. Extremamente plástico.

    De ar rarefeito!:)

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    1. O Tolentino, esse maravilhoso poeta, está inocente. :) (Adoro tudo o que escreve.)

      A certa altura faz-me lembrar areia do deserto batida pelo sol a passar numa ampulheta, mas todo o desenho é lindo; e nota-se o movimento dos cães, pequenos pontos escuros na periferia, a controlar a operação.

      electricidade estática! :)

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