Atalhos de Campo


21.3.16

As falas de Teresa (7)

João:
O sonho volta, me envolve novamente. A onda torna a bater em minha cadeira, ameaça chegar até à mesa. Penso que, no meio de toda esta gente da terra, gente que parece ter criado raízes, como um lavrador ou uma colina, sou o único a escutar este mar. Talvez Teresa...

João Cabral de Melo Neto/ Os Três Mal-Amados


Não tenho raízes, a minha pátria é um pouco por todo o lado onde fui feliz. Houve pequenas ilhas no mar, vou-me lembrando aos poucos, o mar esteve sempre presente, até desaparecer. Dantes gostava de adormecer a ouvir o mar. Era o mar que me embalava o sonho. O computador está sobre a mesa. Escrevo a última frase. Apago a luz.  

4 comentários:

  1. Querida Teresa, que palavras tão bonitas e certeiras. Eu sinto precisamente o mesmo: a minha pátria é um pouco por todo o lado onde já fui feliz. E, curiosamente, eu, que tanto amo o mar, já fui feliz longe dele.

    Um braço daqueles mesmo apertados. Mesmo. :)

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    1. Quanto tinha o mar perto não precisava de razões; agora que está longe procuro-as, e às vezes alcanço-as, mas o mar, aquele mar, perdi-o.

      E agora venha daí esse abraço. Até que calhou bem, tenho um igual para ti. :)

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  2. Já eu tenho muitas raízes perto do mar, não consigo estar muito tempo longe dele, da minha pátria. Beijinho Teresa :)

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