Atalhos de Campo


3.2.16

atmosfera


















































18 comentários:

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    1. Ava, há dias assim, uma conjunção de luz, de sombra, um esvair do dia para a noite. Depois é só lá estar. O que às vezes perdemos! E o que ganhamos. Obrigada.

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  2. "Se perguntarem: das artes do mundo?
    Das artes do mundo escolho a de ver cometas
    despenharem-se
    nas grandes massas de água: depois, as brasas pelos recantos,
    charcos entre elas.
    Quero na escuridão revolvida pelas luzes
    ganhar baptismo, ofício.
    Queimado nas orlas de fogo das poças.
    O meu nome é esse.
    E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as noites
    caem dentro dos dias - e eu estudo
    astros desmoronados, mananciais, o segredo."

    Herberto Helder / Se perguntarem: das artes do mundo?


    Miúda, consegues transmitir tanto com as tuas fotos.

    Um beijinho maravilhado :)

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    1. "(...)
      estes poemas que avançam
      no meio da escuridão
      até não serem mais nada
      que lápis papel e mão
      e esta tremenda atenção
      este nada
      uma cegueira que apaga
      a luz por trás de outra mão
      tudo o que acende e me apaga
      alumiação de mais nada
      que a mão parada
      alumiação então
      de que esta mão me conduz
      por descaminhos de luz
      ao centro da escuridão
      que é fácil a rima em ão
      difícil é ver se a luz
      rima ou não rima com a mão"

      Herberto Helder/ Poemas Canhotos

      Um beijinho, [o Herberto ia gostar da tua bela escolha para acompanhar a derradeira luz]

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    1. Obrigada.( às vezes até dói o olhar ao encarar tão de frente a última luz do dia.)
      Beijos

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    1. "Pelo cristal já pálido a incerta
      Luz de uma tarde mais toca o volume
      E outra vez ardem e outra vez se consomem
      Os ouros que envaidecem a coberta."

      Jorge Luis Borges/ Ariosto e os Árabes

      Obrigada, Cuca.

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  5. Bela paleta, Teresa. Lá está a natureza a imitar a arte.
    O rendilhado, o equilíbrio sempre achado.
    E quem se iria lembrar de um tal amarelo para o céu?!
    Os pintores românticos beberam muito destes tons de céu, como o
    Turner...E é verdade, o céu alheio à nossa contemplação e para sua glória e gozo vai-se divertindo assim, quer estejamos ou não.

    Ao pôr-do-sol
    Beijinhos

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    1. Atmosf(e)érica, foi assim que senti. Turner teria gostado se fosse junto ao mar, mas aqui foi um mar no campo, e a árvore um mastro altivo.

      Até ao amanhecer.
      Beijinhos

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  6. Olha, uma árvore no mar...O amarelo está especial.

    Beijinho

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  7. ...mesmo! E as copas como a desta? Não dispenso. Mas sim, eram...ao sabor das marés e dos alísios...:):)

    Praia-mar, tão bom!

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    1. As árvores sempre se equilibraram no vento. Esta é um freixo já muito, muito antigo. Um mastro perfeito, ao fim da tarde.

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  8. Sem dúvida. É soberba e tem um porte adulto monumental. Aqui também observo as árvores ao vento. As várias ramificações acompanham o movimento dos ventos em círculos em torno do seu próprio eixo, e quando estão de saúde são extremamente elásticas e não se partem, aproveitando de todo o balanço. É uma engenharia e tanto!

    As árvores são presenças incríveis. Têm espírito.

    Um beijinho para ti e outro para o teu filho que entrou ontem nesta sala, (creio).

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    1. (...)
      Ah, os paquetes, os navios-carvoeiros, os navios de vela!
      Vão rareando - ai de mim! - os navios de vela nos mares!
      E eu, que amo a civilização moderna, eu que beijo com a alma as máquinas,
      Eu o engenheiro, eu o civilizado, eu o educado no estrangeiro,
      Gostaria de ter outra vez ao pé da minha vista só veleiros e barcos de madeira,
      De não saber doutra vida marítima que a antiga vida dos mares!

      Porque os mares antigos são a Distância Absoluta,
      O Puro Longe, liberto do peso do Actual...
      (...)
      Ter a audácia ao vento dos panos das velas!
      Ser, como as gáveas altas, o assobio dos ventos!
      A velha guitarra do Fado dos mares cheios de perigos,
      Canção para os navegantes ouvirem e não repetirem!
      (...)"

      Álvaro de Campos/ Ode Marítima

      Um beijinho Madalena (entrou sim, querida Madalena, ele vem ver... :) )

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