Atalhos de Campo


27.2.16

As falas de Teresa (2)

João:
Olho Teresa como se olhasse o retrato de uma antepassada
que tivesse vivido em outro século. Ou como se olhasse um
vulto em outro continente, através de um telescópio. Vejo-a
como se a cobrisse a poeira tenuíssima ou o ar quase azul que
envolvem as pessoas afastadas de nós muitos anos ou muitas léguas.

João Cabral de Melo Neto/Os Três Mal-Amados


Ele olha-me como se eu não estivesse aqui, como se eu ainda
fosse a mesma de que ele se lembra no passado. A minha 
imagem não coincide com as suas memórias, vivo desfocada de
mim, como se continuasse a habitar uma adolescência pretérita,
ou a infância em outro continente. E é lá que vivo num halo
todo azul. Sou um espectro, uma sombra projectada nas paredes.
  

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