Atalhos de Campo


1.2.16

A realidade e a imagem

O arranha-céu sobe no ar puro lavado pela chuva
E desce refletido na poça de lama do pátio.
Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa
Quatro pombas passeiam.

Manuel Bandeira/ A realidade e a imagem

4 comentários:

  1. É no chão seco, que separa a realidade e a imagem, que começa o poema, a escultura, o amor, a amizade, a invenção de nós mesmos.

    Um beijinho lavado pela chuva :)

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    1. É, minha querida Miss Smile, é nesse hiato que tudo estremece.

      Um beijinho luminoso. :)

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  2. Este poema é duma limpidez fotográfica cortante. É hiper-realista. Já foi tudo dito. É nesse espaço reflectido em nós, onde começa a nossa própria projecção, única e irrepetível. É desse tecido que se faz a memória.

    Memórias lavadas
    Beijinhos

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    1. ...e se vão buscar às arcas antigas as rendas do passado, os linhos, o que se guardou para passar à geração seguinte.

      Memórias de alfazema e cânfora
      Beijinhos

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