Atalhos de Campo


25.1.16

votar com o cabelo molhado

Faltavam apenas sete minutos para o fecho das urnas, quando saí de casa à pressa, para votar. Mal entrei na secção de voto, na escola primária da vila, senti-me observada da cabeça aos pés, porque estava com o cabelo molhado. Sabe de cor o seu número de eleitor? Não, não sabia. Foi então que disseram alto o meu nome completo depois de o procurarem na lista. Uns segundos depois passaram-me uma folha para as mãos e encaminhei-me para a cabine de voto, com todos os olhos pregados nas minhas costas. Depois de entregar o boletim, fui seguida até à porta. Ficaram a espreitar para ver se conheciam o carro. Voltei para casa para secar o cabelo e fui para Lisboa, onde jantei com o meu filho. A minha nora disse-me que eu estava com o cabelo bonito. Durante o jantar percebi que só uma pessoa não tinha votado, por motivos de força maior. Havia três gerações à mesa. Fomos acompanhando os resultados eleitorais pelo telemóvel. Mais uma vez venceu a abstenção, a apatia dos que mais se queixam, tudo exigem e nada fazem, à mesa do café.

14 comentários:

  1. Votei. Voto sempre. Era tão menina quando me alegrei por fazê-lo! Nunca deixarei de fazê-lo, enquanto puder.Até porque sinto que seria, também, um desrespeito pelos que lutaram e sofreram para que pudéssemos fazê-lo!

    Beijos, Teresa. :)

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    1. Também eu Maria, não me lembro de algum dia ter falhado. Concordo, é um desrespeito, uma atitude negligente. Que pena que assim seja.

      Beijos, Maria. :)

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    1. Sem dúvida, podia ter corrido mal, mas ainda assim tentava... :)
      Consegui.

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  3. Ontem também fui votar. Entre uma saída e um café, lá fui exercer o solene acto cívico, mas sem grande estima. Não inscrevi voto útil, e sabia. A antiga mas bem preservada escola primária do lugarejo estava quase deserta, os representantes e um casal reconheceram-me e sorriram. Cá fora, alguém confidenciava que 50% dos inscritos não tinha ainda comparecido. A abstenção é geral e tem aumentado, mas não deveria em democracia ultrapassar os 20%. Neste momento, penso que a abstenção deveria ser interpretada e tomada em conta como um indicador importante, um termóstato. Mas ao invés e por conveniência, é ignorado. Desde há uns anos para cá, que também eu tenho declinado alguns actos eleitorais. É que depois de uma severa sequência de desaires da banca, se permitir que sejam os contribuintes e o país a acarretar tais desvarios, achei que o sistema me tinha deixado de representar...
    Aguardo que se erre cada vez melhor, e não cada vez pior.

    Hope!
    Com muita amizade

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    1. Não votar é a demissão de um direito. Eu penso que o voto em branco é a melhor expressão do descontentamento. É assim como uma bofetada com luva branca. Ainda que o sistema falhe e tenha sistematicamente falhado, ter um dia como outro qualquer, ignorando o destino do país, parece-me civicamente errado. Votar, nem que seja de cabelo molhado! Eu não tenho esperança, infelizmente, e esta campanha pareceu-me uma caricatura, os resultados, uma galhofa. E mais uma vez fiz voto útil.

      Civility!
      Com muita amizade

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  4. Isso é o que se chama uma entrada triunfal. Não me irei esquecer, Teresa, para a próxima será com o cabelo molhado.;)

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    1. Ava, e foi mesmo. Não te esqueças: às sete da tarde, no Inverno, já de noite, irromper por uma sala sonolenta com a frescura do Éden, resulta muito bem. :)

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  5. Eu entendo. A minha mãe votava quase sempre em branco. Eu não. Eu gostava de fazer valer a minha escolha. Creio que a abstenção de hoje reflecte algo de muito mais profundo, mas ao qual não se confere o devido valor de atenção e análise, pelo perigo que pode representar para as instituições cristalizadas no tempo, às quais não interessa uma evolução dinâmica, ao serviço das pessoas. O problema é global e a estrutura do sistema político dito democrático perde reconhecimento e autoridade a cada dia, muitas vezes invocado pelos seus próprios intervenientes, incapazes de lhe devolverem uma nova e sustentada vida.

    Veremos o que se segue

    Justice! Et toujours l'amitié

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    1. Vejo pior do que isso, vejo comodismo, desinteresse por falta de interesses, arrogância até, idiotia, às vezes. Haverá uma percentagem, que julgo pequena, que não vai lá por fortes razões, mas então que se organize, e apresente alternativas. O resto "é mais do mesmo". Talvez os países devessem ser governados por tecnocratas, apartidários, cuja gestão se assemelhasse à gestão de uma empresa.

      Veremos, Madalena.

      O triunfo do poder de imaginação...
      L'amitié, toujours.

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  6. "O triunfo do poder de imaginação"...AH! deixem-no então passar...

    Et l'amitié

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    1. se for ao contrário, é uma frase do Maio de 68; façamos então uma revolução imaginária, já que não temos idade para outra coisa...

      L'amitié au pouvoir!

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  7. É o máximo!...
    "Eu tinha alguma coisa a dizer mas não sei mais o quê":)

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