Atalhos de Campo


18.1.16

Aristóteles inventou o Facebook

A amizade é menos frequente entre pessoas azedas e entre os mais velhos, porque quanto pior for o feitio das pessoas, menor é o prazer que têm no convívio. Ora o bom feitio e o convívio social são marcas de amizade e motivos criadores de amizade. Por esse motivo, os jovens depressa se tornam amigos, os velhos, não.

Aristóteles/ Ética a Nicómaco

25 comentários:

  1. (ahahahahahah)

    Mas não inventou aqueles "selinhos" com frases tão profundas e aquelas "correntes" maravilhosas que tanto faz pela amizade! ;))

    Ler isto ainda de madrugada e antes de ir trabalhar não foi lá grande ideia, Teresa, Fiquei a pensar que estou a ficar velha e azeda, porque cada vez faço menos amizades. Falo daquelas que são para uma vida ou o que restar dela. Beijinhos e boa semana.

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    1. ...continua Aristóteles: "Por outro lado, para criar uma amizade perfeita tem de se ter experiência conjunta [de dificuldades] e ganhar confiança mútua, o que é muito difícil."

      Beijinhos Ava, espero ter ajudado. :)

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  2. Completamente de acordo. Apenas substituiria "velhos" por "velhos de espírito" e "jovens" por "jovens de espírito". Conheço alguns jovens cujo espírito envelhece a cada mudança de estação e conheço velhos de espírito cada vez mais remoçado - que é, aliás, o meu caso cof, cof, cof :)

    Um beijinho, querida Teresa

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    1. Gosto tanto, mas tanto de brincar, Miss Smile, mas sou tão rigorosa com o conceito de amizade...
      Confunde-se muito empatia com amizade; conhecidos com amigos; quantidade com qualidade.

      Toma lá um rebuçadinho do Dr. Bayard, e olha que já é o último. :)
      Um dia feliz para ti, querida jovem e sorridente velhinha ;)

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  3. Os mais velhos tendem a ser mais selectivos, acho que a verdadeira questão está aí. Já tiveram algumas desilusões e têm uma experiência de vida que os leva a ver os "outros" de forma diferente. Quando se é mais novo, falo na escola ou até mesmo na faculdade, tem-se a ideia que todos são nossos amigos. Estamos sempre mais predisposto a estabelecer "pontes" dada a leveza com que se encara a vida :)

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    1. Zuckerberg fundou o facebook com vinte anos...

      Diz Aristóteles: É possível agradar a muitos de modo satisfatório em vista da utilidade e do prazer, porque há muitas pessoas que são amigas nestas bases de amizade e há serviços que podem até ser prestados rapidamente.(...)
      Tal é o caso das amizades que se criam entre os jovens. Pois, parece haver nelas uma maior generosidade de sentimento. Por outro lado, a amizade que se cria em vista da utilidade parece ter um elemento comercial na base. (...)Por exemplo, prazer em troca de uma vantagem. Contudo, foi já referido que tais amizades são menores e menos duradouras."

      ...ao alcance de um delete diria ele, se fosse hoje. :)

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  4. Cof, cof - engasguei-me com o rebuçadinho do Dr. Bayard que me deste. São aqueles que são amigos do peito, não é? :)

    Tens toda a razão. Vivemos numa sociedade de espelhos e o conceito de amizade está, hoje em dia, esvaziado de sentido. Está adulterado e é confundido com os preliminares. E não deixa de ser inacreditável como uma ferramenta desenvolvida por um miúdo de 20 anos define a cotação da bolsa de amizades de muitas pessoas. Sabes, as pessoas estão a ficar velhas, antes de ficarem mais sábias.

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    1. Enquanto saboreias o rebuçado, escuta esta:

      "(...)Além do mais é preciso tempo e cumplicidade, pois, tal como diz o provérbio, não é possível que duas pessoas se conheçam uma à outra sem antes terem comido juntas a mesma quantidade de sal. Nem se pode reconhecer alguém como amigo antes de cada um se ter mostrado ao outro digno de amizade e merecedor de confiança. Pessoas que depressa produzem provas (exteriores) de amizade entre si querem ser amigos, mas não podem sê-lo logo. É preciso primeiro que se tornem dignos da amizade e se possa reconhecer neles essa mesma dignidade. O desejo de amizade nasce depressa, mas a amizade não."

      Aristóteles (384 a.C.)

      é pena que poucas pessoas leiam estas coisas antes de serem velhas...

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  5. Então, diz-me lá o que é que eu tenho de fazer para ser tua amiga? :)

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  6. Combinado! Se sobreviver a tanto sódio, terás uma amiga hipertensa.

    Por ora, um beijinho insonso :)

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    1. temos que comer o sal juntas, acho que é aos poucos para evitar os efeitos secundários...
      porque falta de sal, deixa que te diga, é que tu não tens!

      Um beijinho bem-temperado. :)

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  7. Acho que a amizade é como o amor, vai-se metamorfoseando com a idade. Torna-se mais selectiva sim, mas também mais generosa, tolerante e passa a alimentar-se menos de circuitos egóicos, tão exacerbados em idades mais verdes. É uma aprendizagem que se faz, caminhando e trabalhando interiormente, para que não acabemos uns vivos, mortos-vivos. O espírito não envelhece, mas ao invés, torna-se atlético, mas é preciso agilizá-lo connosco e com os outros, os companheiros de caminho, os que estão predispostos. E então, com tempo, como o Aristóteles diz, poderemos ser mais sábios, felizes e amigos.

    Beijinhos e obrigada pelas gargalhadas proporcionadas

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    1. Como já vai sendo hábito gostei imenso do que aqui deixaste escrito. É muito belo que assim entendas a amizade que vai evoluindo ao longo da vida. Como novas amizades serão difíceis de fazer, e aqui concordo inteiramente com Aristóteles, será bom cuidarmos bem das que já existem. No entanto o avançar da idade também traz consigo alguma teimosia, e algum egoísmo, mas enfim, cenas dos velhos Marretas não serão impeditivas do prosseguimento de uma amizade de longa data, porque ela toma muitas vezes o lugar do amor já perdido e ganha protagonismo como sentimento maravilhoso que é.

      Obrigada, querida Madalena, pela tua companhia neste caminho.

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  8. gostei muito deste post e da caixa de comentários toda, todinha :)

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    1. e eu gostei muito que aqui viesse dar esse testemunho tão bom :)

      Um dia feliz, querida ana.

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  9. Querida Teresa, caminhemos então, porque o caminho ainda é longo e leva tempo a enxergar, até chegar ao grande vale... :)

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    1. sim, apoiemo-nos uma na outra, e deitemos as bengalas fora :)
      eu sou um bocado míope, tens que ter paciência...

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  10. Está de mais!...Não faz mal Teresa, porque eu levo as progressivas, e afinal, é de progressão que precisamos. Coragem! Minha querida caminhante.

    Sempre por bons caminhos :)

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    1. Querida prima, então isso da miopia parece ser de família, embora o meu pai visse lindamente ao longe...
      Nunca nos reencontraríamos se não este espaço maravilhoso algures sobre as nossas cabeças.
      Sempre por bons atalhos, sim, Madalena. :)

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  11. Agora a sério, o meu pai era míope, mas eu saí à minha mãe e nunca usei óculos, mas agora preciso deles para ler, e ao longe também já não vejo com a definição de falcão de outrora. Que se vá a vista, salvo seja, e fique a visão, a visão das coisas. Palavra de caminhante.
    Quanto ao resto, é verdade e garanto-te, foi pura coincidência. Em suma, constato: A vida tem vida própria.

    Duma sua peregrina
    Madalena

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    1. falcão, percebo :)
      a minha mãe é que é míope, ó diabo, que confusão...eu leio bem sem óculos, o que é uma vantagem no nosso projecto de sobrevivência :)

      Freud dizia que não há coincidências, mas sobre peregrinos nunca li nada, por isso acredito. :)
      Teresa

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  12. Eu sei, mas o Freud enganou-se e mais uma vez te garanto, há coincidências! E olha que esta etiqueta tem certificado de garantia e controle de qualidade, seja lá o que isso queira dizer :)

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    1. Adorava saber como vieste aqui parar.
      Foi a minha mãe...?
      Qualquer opção é digna de vénia. :)

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  13. Sim, foi a tua mãe que me falou nos "atalhos de campo" de passagem, e eu retorqui que viria ver. Mas o engraçado é que lhe telefonei durante a quadra Natalícia, depois de tanto tempo, e ela disse-me que me tinha tentado telefonar na véspera, mas em vão, pois os números já estavam mais que desactualizados. Acho que foi uma coincidência gira, pois eu não imaginava. Com ou sem telepatia, eu acredito em coincidências, acasos que acabam por ditar rumos, rumos da vida própria que a vida tem.

    Querida Teresa
    Vénias :)

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