Atalhos de Campo


29.1.16

A lista

Sobreviver aos outros é o tema de A Lista de Schindler; sobreviver a qualquer custo e em qualquer condição, venha o que vier, fazendo o que for preciso fazer. A lotada sala de cinema irrompe em aplausos quando Schindler consegue tirar o seu mestre-de-obras de um comboio pronto a partir para Treblinka. Não importa que o comboio não tenha sido impedido de seguir e o resto dos passageiros dos vagões de gado vá terminar a sua jornada nas câmaras de gás. E os aplausos surgem novamente quando Schindler recusa a oferta de «outra judia» para substituir a «dele», «erradamente» destinada aos fornos crematórios, conseguindo «corrigir» «o «erro».

Zygmunt Bauman/ Amor Líquido

10 comentários:

  1. Somos permeáveis à ilusão, aos heróis... Antes nos focássemos na realidade e agíssemos!

    Beijos,Teresa :)

    (a Miss Smile vai voltar.Iupiiiiii)

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    1. E os outros, os que não fazem parte da lista...
      A lista pode ser uma coisa boa e ao mesmo tempo de uma tremenda injustiça, um pacto com o instituído, que o perpetua. Paramos pouco para pensar nisso. Fazemo-lo todos os dias.

      Beijos, Maria :)

      Hoje estamos mais sorridentes :)))))))))))

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  2. É um filme que nos dá socos no estômago enquanto nos vai salvando também. É lindo, quanto a mim. No meio do horror que foi aquilo, houve este oásis chamado Schindler.
    Belo post, Teresa.

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    1. É mais fácil salvar quem conheces e com quem tens empatia...mas ao fazeres isso também pactuas com a morte de todos os outros. É estranho, mas eu tenho sentimentos contraditórios. Faria tal e qual, tenho a certeza, com todas as minhas forças, porém, e os outros? E quando uma mãe tem que escolher salvar só um dos seus filhos, o que faz? A escolha, ou a lista, é sempre uma traição.
      Beijos, Susana.

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  3. Em todo o caso, muitas pessoas foram salvas...

    "Era verdadeiramente minha intenção salvar toda aquela gente" do Cônsul Português em Bordéus - 1940
    Salvou 30 000 da perseguição Nazi. Admiro os que conseguiram salvar alguém, em condições tão formatadas e perigosas, desafiando tudo e todos, em segredo. Que audácia, que coragem! É sair completamente da "roda". Dar o peito às balas, sem medo, pelo outro, seu semelhante.
    Eu punha-o no Panteão!

    Beijos

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    1. São dois "Schindlers" diferentes, neste caso referes-te a Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português que conseguiu milhares de vistos para judeus, em França. Claro que é de louvar, está fora de questão isso, só podemos venerar quem o fez. Mas o problema é mais filosófico do que prático. Põe-se aqui em confronto a dignidade dos que morrem, e dos que sobrevivem, por vezes a qualquer preço.

      Beijos

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  4. Nestas circunstâncias em que pior era impossível, melhor não seria possível. Um imprevisto abençoado definitivamente improvável. O resto é mistério, é quase a vida de todos nós, como os dados da equação que nos é atribuída à nascença.

    Um grande beijinho
    Madalena

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    1. ...complicada com derivas e integrais :)

      Um grande beijinho
      Teresa

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  5. errata: onde se lê "derivas", deveria ler-se derivadas. :)

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  6. Eu percebi, eu li derivadas e integrais, das equações matemáticas.

    Isso, isso...:).)

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