Atalhos de Campo


7.12.15

o amor

 
(...)
As nuvens passam e dispersam-se.
Serão essas as faces do amor, 
esfumadas coisas que não se recuperam?
É por isto que perturbo o meu coração?
(...)
Sylvia Plath/Olmo

3 comentários:

  1. A analogia é lindíssima, mas não se espera outra coisa deste atalho de beleza. E talvez o amor - tal como os afetos, em geral - seja uma série de nuvens que nos atravessam vezes sem fim. Empurradas pelo vento dos dias, pelo embate das emoções, pela necessidade da memória, elas vão ganhando formas e feitios, cores e densidades diferentes. Elas expandem-se e contraem-se connosco, mas estão sempre lá, no céu, que é azul sem fim. Desenvolvem raízes que nos servem de cordas sempre que nos equilibramos na barra horizontal, tal trapezistas que oscilam entre o céu e a terra.

    A tua nuvem, que vejo da minha janela, sabe a algodão doce :)

    Um beijinho, querida Teresa, e um dia feliz

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    1. Eram noites de silêncio apaziguado
      Aquelas em que de noite me aparecias.
      Descalça, cabelo desalinhado
      Num sonambulismo magoado
      Contra mesas e cadeiras embatias.
      Eram longos os dedos das palavras
      Que de olhos fechados proferias
      De outros, alfabéticos* e calados
      Percorrendo insones teclados,
      Filão ininterrupto, tu tecias.
      E nesse movimento desvairado,
      Só nas paredes paravas, e morrias
      Para recomeçar de novo esse bailado,
      Porque em nenhum lado tu cabias.
      Era assim, que já sobre a madrugada
      Ao meu colo, exausta, adormecias
      Com a promessa de sossego combinado
      Que só o encontro marcado prometia.
      E se foram nossos tempos desencontrados,
      Quis o destino que acertássemos neste dia.

      «Café Müller com Sylvia Plath» (publicado neste atalho a 27/10/2014)
      *dedos alfabéticos/ Sylvia Plath/ Três Mulheres

      Em memória de Pina Bausch e Sylvia Plath, que amaram o amor.
      Este bocadinho de mim para ti, como um algodão doce :)
      Um beijinho, querida Love Miss Love, e um dia feliz.

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  2. Errata: na 2ª linha onde se lê "Aquelas em que de noite me aparecias", leia-se: "Aquelas em que de repente me aparecias"
    Tenho jeito para erratas, não tenho? Um beijinho.

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