Atalhos de Campo


8.12.15

Cessação de Actividade

Este blogue cessa hoje a sua actividade. 
Sublimando a prestação de contas, desejamos a todos um bom futuro.

Atalhos de campo.

10 comentários:

  1. “Sei agora como nasceu a alegria,
    como nasce o vento entre barcos de papel,
    como nasce a água ou o amor
    quando a juventude não é uma lágrima.

    É primeiro só um rumor de espuma
    à roda do corpo que desperta,
    sílaba espessa, beijo acumulado,
    amanhecer de pássaros no sangue.

    É subitamente um grito,
    um grito apertado nos dentes,
    galope de cavalos num horizonte
    onde o mar é diurno e sem palavras.

    Falei de tudo quanto amei.
    De coisas que te dou
    para que tu as ames comigo:
    a juventude, o vento e as areias.”

    Eugénio de Andrade / Até Amanhã


    Hoje estou triste, mas amanhã vou estar menos triste. Talvez porque amanhã tu voltes.


    Um abraço de fita azul, cheio de voltas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Nunca ouviram falar daquele louco que, à luz clara da manhã, acendeu uma lanterna, correu para a praça do mercado e se pôs a gritar incessantemente: «Ando à procura de Deus! Ando à procura de Deus!» Estando reunidos na praça muitos daqueles que, precisamente, não acreditavam em Deus, o homem provocou grande hilaridade. «Será que se perdeu?», dizia um. «Será que se enganou no caminho, como se fosse uma criança?», perguntava outro. «Ou estará escondido?» «Terá medo de nós?» «Terá embarcado?» «Terá partido para sempre?», assim exclamavam e riam todos ao mesmo tempo. O louco saltou para o meio deles e trespassou-os com o olhar. «Quem vos vai dizer o que é feito de Deus sou eu!», gritou! «"Quem o matou fomos todos nós", vós mesmos e eu! Os seus algozes somos "nós todos!" E como o fizemos?

      Eliminar
  2. Eu sei que prender quem quer partir é uma forma de egoísmo. Sei que "amar também é deixar ir", mas não gosto deste post.
    Gosto é de ti.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Como conseguimos engolir todo o mar? Quem nos deu a esponja para apagar todo o horizonte? Que fizemos nós, quando soltámos a corrente que ligava esta terra ao seu sol? Para onde se dirige ela agora? Para onde vamos nós? Para longe de todos os sóis? Não estaremos a precipitar-nos para todo o sempre? E a precipitar-nos para trás, para os lados, para a frente, para todos os lados? Será que ainda existe um em cima de um em baixo? Não andaremos errantes através de um nada infinito? Não estaremos a sentir o sopro do espaço vazio? Não estará agora a fazer mais frio? Não estará a ser noite para todo o sempre, e cada vez mais noite? Não teremos que acender lanternas em pleno dia?"

      Eliminar
  3. Respostas
    1. "Será que ainda não estamos a ouvir o ruído que fazem os coveiros a enterrar Deus? Ainda não nos terá chegado o cheiro da putrefacção divina? Porque até os Deuses se decompõem! Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e de mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a historia até hoje!»"

      Eliminar
  4. Como assim? Oh, Teresa, não partas!Caramba, fazes falta!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Aqui o louco calou-se e fitou de novo os seus ouvintes; também eles se calaram e o olharam espantados. Ele, por fim, lançou ao chão a lanterna, que de desfez em pedaços e se apagou. «Cheguei cedo demais», disse então, «o meu tempo ainda não é este. Este acontecimento extraordinário há-de vir ainda, transita ainda, não chegou ainda aos ouvidos dos homens. O relâmpago e o trovão levam o seu tempo, a luz dos astros leva o seu tempo, os actos, mesmo depois de executados, levam o seu tempo a ser vistos e ouvidos. E este acto está ainda mais longe dos homens do que os astros mais longínquos. E, «no entanto, foram os homens que o praticaram!»"

      Eliminar
  5. Teresinha, tem licença para partir por uns dias - passar a quadra natalícia com os seus - depois voltar renovada com um caderno de folhas em branco para colorir 2016.
    Um grande beijinho

    [não sei se já lhe disse que gosto de si :)]

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Conta-se ainda que o louco entrou nesse mesmo dia em várias igrejas e aí cantou o seu "requiem eternam deo". Expulso dos templos e interrogado, ripostou sempre apenas isto: «Que são agora ainda estas igrejas senão os túmulos e os monumentos funerários de Deus?»"

      Friedrich Nietzsche/ O louco

      Eliminar