Atalhos de Campo


13.12.15

A oferenda

Domingo. Tinham acabado de assistir à missa. O meu filho era ainda criança, suponho que não ultrapassaria os cinco anos de idade, e a tia-avó, mal passaram a porta da igreja, enquanto lhe largava por momentos a mão para abrir a carteira, ia dizendo, querido, deixa-me só tirar uma moeda para dar àquele senhor, costumo sempre dar-lhe qualquer coisa à saída da missa. Então ele, que permanecera muito calado, fixou nela os olhos maravilhosos como duas amêndoas doces, e perguntou, mas se aquele senhor é pobre, porque é que a tia não deixa que seja ele a escolher?

10 comentários:

  1. A infância tem dessas coisas sabiamente inocentes. :)

    Mais um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Uma delícia, Maria; mas, pensando bem, as crianças começam a negociar cedo, e, para elas, é tudo bem mais simples...
      repenicado :)

      Eliminar
  2. se os pobres pudessem escolher...a caridade deixava de fazer sentido!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se pensarmos em sentido lato, seria verdade, utópica, mas verdade. Então restar-nos-ia a fé e a esperança. Mas se particularizarmos, neste caso seria interessante analisar: se a caridade é amor, e se o amor ao próximo é bilateral, então o pobre deveria também ser caridoso, e não escolher a maior nota...a caridade manter-se-ia, e tudo seria mais equilibrado.
      Obrigada pelo desabafo!

      Eliminar
  3. As crianças são brilhantes,parece que vêm de outro mundo e vão aterrando neste a pouco e pouco,e depois têm destas "saídas".No estado adulto a razão tolda-nos a clarividência.

    Mais outro xi

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como concordo contigo, devíamo-nos envergonhar mais perante a clarividência das crianças.

      Mais um beijinho, Madalena.

      Eliminar
  4. ...ou vermos mais, "através de". Mas para isso, já temos este atalho...

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Madalena, já pensaste ter um blogue?
      Gosto tanto da forma como te expressas que deverias pensar nisso...
      Beijinho

      Eliminar
  5. Obrigada! Por agora não quero ficar refém de mais uma tarefa que me aprisione, e um blog exige dedicação diária. De qualquer modo, um atalho como este traduz-se numa acção criativa bem generosa. É uma dádiva, onde todos dão e recebem e eu vou à boleia. Vou assim, navegando à bolina sem destino...

    Olha, vou de vela!
    Beijinhos, Teresa

    ResponderEliminar