Atalhos de Campo


19.11.15

Tempos de caça


























tempo de caça, tempos de caça
perdizes felizes
cantamos
corvos, gralhas
negras, negros 
tempos.
verde, verdes 
trilhos.
farejam narizes
meias vermelhas
veias 
nos valados nevoeiro,
nevoeiros 
brilhos 
camufladas dianas.
pegadas em dias de cauda curta 
de cauda longa, pegas, noites compridas
ruas
quintas, montados, madrugadas, 
drogadas chacinas
investidas
pelas feiras ladram
peles curtidas
às esquinas feridas
montarias 
ao ouro velho encapuzadas. 
triunfo da mal passada
carne vermelha branca dourada em sangue
crua fraca
rola escondida, a primeira
pura mata
piscos pousados na árvore nua o céu
chapins posados no tiro a olho nu armado
fuga, fuga, folha caída
estalido
emergência
sem saída.
da mira em ponto
de queda livre
em crawl voando
de amora a nódoa
no vestido amarelo
ao zelo pontaria.
tordos nas nuvens
de peito feito
e jogo de cintura
à cintura os primeiros.
fogo
pardais espantados em bando
criaturas
estampidos
em estranho rodopio
obedecem ao mando 
de jovens ímpios implodidos,
pressões de ar envergando
gritos.
grito,
com as mãos nos ouvidos.
olá, passarinhos fritos, letreiro
acabaram-se os patos,
no prato,
mas há faisões em Janeiro 
todos reais.
verdadeiras realezas 
servidas em bandejas, narcejas 
fatais virgens estufadas, cervejas
rolas em banho turco são canja
a fumegar sobre as mesas.
risos, rios ribeiros, naturais belezas
ribanceiras duquesas
de parar, falcões sem lucro
falcoeiras
estupro.
tiro aos sonhos
nos sobros
aos tentilhões a cantar
pombas de tombar
na paz das oliveiras.
lutos, luto
azar dos estorninhos 
aos ninhos sorte
ardem   
nas lareiras azinhos
pão e vinho
tinto o Domingo
frutos do fruto 
a festejar
a morte.

4 comentários:

  1. Teresa, faço-te aqui uma vénia. Versos encorpados, palavras vigorosas, sentimentos fortes que deixam um sabor metálico na boca.

    P.S.: Não me digas que aqueles "calmeirões" da fotografia são os meus afilhados...

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    1. são os meus amores...já fizeram hoje voos rasantes à minha volta e tomaram banho de imersão em água quente [e badedas...:)]

      quanto ao "resto", ali para cima, o sabor é ferruginoso como o sangue, infelizmente.

      Um beijinho feliz e infeliz.

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  2. É o tempo de sangrar..

    Beijos, Teresa.

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