Atalhos de Campo


2.11.15

pequena nota sobre dominância

observando os animais a comer durante algum tempo,
verifico que a dominância se manifesta não só em ser
o primeiro a comer, mas também em não deixar comer.

6 comentários:

  1. E aí os humanos cedem a ser-lhes iguais, ainda que racionalmente.

    Boa noite, Teresa, e um beijo, racional mas com o coração.

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    1. Racionalmente, não cedem...
      Mas o beijo, prefiro só com o coração.
      E retribuo, porque gosto de lápis roídos :)
      Adeus miúda arisca, até já.

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  2. Observando os animais, aprende-se muito sobre a natureza humana e sobre os seus instintos primordiais. Também é verdade que a razão resulta mais nuns do que noutros, pois nem todos os humanos estão dispostos a fazer os sacrifícios que o “viver em sociedade” - que é sempre uma cooperação social - acarreta. Na verdade, não imitamos os animais. Nós somos também animais. A nossa condição humana, porém, distingue-se da dos animais precisamente pela dualidade da nossa existência alternada entre um animal de duas e um animal de quatro patas, como dizia Nietzsche, “O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem, uma corda por cima do abismo.”

    Um beijinho, Teresa

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    1. Assusta o uso da razão, principalmente quando "imita" o lado mais básico, e o homem se torna um ser animalesco consciente.
      Aí ele é violento, perverso, e malévolo, e ardiloso, como nenhum aniMal, porque o faz tantas vezes, conscientemente, até às últimas consequências, até atingir um objectivo.
      Escreve Nietzsche em A Gaia Ciência, Os homens naturais. (225): « O mal teve sempre o grande efeito por seu aliado! E a natureza é má! Sejamos portanto naturais!» É assim que concluem secretamente aqueles que, na humanidade, procuram sobretudo os efeitos espectaculares e que, com demasiada frequência, têm sido tomados como pertencendo ao número dos grandes homens. F.Nietzsche

      Um beijinho, Miss Smile, com um sorriso triste.

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  3. Nietzsche também dizia que não há factos, só há interpretações. E umas são mais úteis do que outras, é verdade. Para mim, a natureza não é boa, nem má. A natureza é, apenas. Não acredito no mito do “bom selvagem” nem na natureza do mal. A razão, quando utilizada exclusivamente em proveito próprio, sem olhar a meios para atingir fins, é perversa e malévola, ainda que a história nos apresente essas personalidades como grandes heróis. Mas nós também sabemos que a história é escrita pelos vencedores. Mas é aqui que aparece o caráter, que se constrói ao longo da vida, e do qual dependem as nossas escolhas. E há tantas escolhas felizes, tantas pessoas nos bastidores a fazerem coisas espetaculares, a trabalharem para o bem comum. Ouvi, há tempos, uma história maravilhosa. Numa ilha da Nova Zelândia havia, há alguns anos atrás, um só casal de piscos pretos, à beira da extinção. Um grupo de pessoas decidiu dar uma pequena ajuda à natureza e começou a recolher os seus ovos que eram chocados por outros pássaros. Os piscos conseguiram, dessa forma, reproduzir-se de tal maneira que, neste momento, já existem mais de 80 piscos distribuídos pelas ilhas. Este casal, uma espécie de “Adão e Eva dos piscos”, viveu 13 anos, ao invés dos 7 anos habituais, como se quisesse ter a certeza de poder completar a sua criação. Há tantas razões para andarmos tristes. Tantas. Mas há também muitas outras razões para acreditar, porque “A esperança é uma ave que pousa na alma, canta melodias sem palavras e nunca cessa” (Emily Dickinson).

    Um beijinho, Teresa :)

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    1. " Se eu já não estiver viva
      Quando os Piscos voltarem,
      Dêem ao do Peitilho Cor de Sangue
      Uma migalha por minha Memória.

      E se eu não vos puder agradecer
      Por estar já tão adormecida,
      Sabei que ainda assim o estou tentando
      Com lábio de Granito!"

      Emily Dickinson

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