Atalhos de Campo


17.11.15

o infinito é só uma viagem




























Acabo de escrever infinita. Não intercalei este adjectivo por um hábito retórico; digo que é ilógico pensar que o mundo é infinito. Quem o julga limitado, postula que em lugares longínquos os corredores e escadas e hexágonos podem inconcebivelmente cessar - o que é absurdo. Quem o imagina sem limites, esquece que os tem o número possível de livros. Atrevo-me a insinuar esta solução do antigo problema: A biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direcção, verificaria ao cabo dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, repetida, seria uma ordem: a Ordem). A minha solidão alegra-se com esta elegante esperança. Mar da Prata, 1941
Jorge Luis Borges/A Biblioteca de Babel

Rio da Prata, 6 de Novembro de 2015





2 comentários:

  1. Para mim, o mundo não é infinito, mas vasto, muito vasto. Tão vasto que penso que nunca chegarei a conhecê-lo completamente. E, talvez por essa impossibilidade, ele seja realmente infinito para mim.

    Gostei de viajar contigo :)

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    1. A minha verdadeira viagem é sempre póstuma: quando estive nunca estive tanto como já voltei a estar, não estando.

      Gosto da tua companhia na viagem póstuma. :)

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