Atalhos de Campo


1.11.15

*Flowers for Hitler*

I do not know if the world has lied
I have lied
I do not know if the world has conspired against love
I have conspired against love
                                                                             






















The atmosphere of torture is no comfort
I have tortured













































Even without the muschroom cloud
still I would have hated





















Listen
I would have done the same things
even if there were no death 
I will not be held like a drunkard
under the cold tap of facts
I refuse the universal alibi




















Like an empty telephone booth passed at night
and remembered
like mirrors in a movie palace lobby consulted
only on the way out
like a nymphomaniac who binds a thousand
into strange brotherhood

















I wait
for each one of you to confess

Leonard Cohen/ What I'm doing here
*Flowers for Hitler*

2 comentários:

  1. “Hitler the brain-mole looks out of my eyes
    Goering boils ingots of gold in my bowels
    My Adam’s Apple bulges with the whole head of Goebbels
    No use to tell a man he’s a Jew
    I’m making a lampshade out of your kiss
    Confess! confess!
    is what you demand
    although you believe you’re giving me everything”

    Leonard Cohen / Hitler the brain-mole

    Theodor Adorno disse que depois dos campos de extermínio não podia haver poesia. Eu compreendo-o. Como pode a poesia apresentar de forma adequada a barbárie? Não correrá esta o risco de, sem querer, embelezar o horror, conferindo-lhe um sentido estético? Penso que esse risco existe sempre. Por outro lado, Cohen demonstra que é possível fazê-lo sem atenuar a monstruosidade. Esta coletânea de poemas é a prova de que a poesia pode causar desconforto e incómodo ao leitor, levando-o a questionar-se sobre o desejo de aniquilação, sobre a necessidade do Mal que não precisa nem pede justificações. As fotos fazem justiça ao poema.

    Um beijinho

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    1. Um dia saí de casa para fotografar os arames farpados que delimitam a extrema da quinta junto à ribeira. Deve ter sido pela hora do almoço, num Verão já adiantado. Lembro-me de estar ali em absoluto silêncio, as carumas já tinham começado a cair dos pinheiros e penduravam-se em equilíbrio precário nos arames e ramos mais finos das árvores, levadas pelo vento. Penas de várias cores tinham ficado pelo chão sequestradas por obstáculos imaginários. Flutuavam penugens brancas iluminando a sombra, presas à rugosidade fina dos ramos mais baixos. Moscas zuniam à minha volta, e paravam no ar a observar-me. Havia naquele remate dos arames uma arte semelhante à dos pescadores pacientes, que remendam as redes nos dias de mar bravo. Fotografei um após o outro, maravilhada com a luz. Tudo em volta tinha morrido, as flores, as ervas, as folhas. A luz atormentada estalava nos ramos e nos espinhos que feriam como garras eficazes. E de repente tudo me fez lembrar os campos de concentração, esvaziados de vida. E ali quieta, chorei.

      Um beijinho, e obrigada pelo comentário brilhante.

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