Atalhos de Campo


26.10.15

céu

















Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Manuel Bandeira/ A morte absoluta

6 comentários:

  1. Essa cadeira podia ser minha, Teresa. Tentarei responder à pergunta, colocando outra - Não será precisamente a procura desse sonho de céu que impede que nos distraiamos da vida?

    Um beijinho

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    1. " Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão o meu cenário interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para a rua dos meus devaneios, esqueço a vista na visão do seu movimento. Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser."

      Querida Miss Smile, espero que o Fernando Pessoa tenha conseguido responder à pergunta. :)
      Podes usar a cadeira, vou buscar uma almofada para ficar mais confortável...
      Um beijinho

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  2. Aqui onde se espera
    - Sossego, só sossego -
    Isso que outrora era,

    Aqui onde, dormindo,
    -Sossego, só sossego-
    Se sente a noite vindo,

    E nada importaria
    -Sossego, só sossego-
    Que fosse antes o dia,

    Aqui, aqui estarei
    -Sossego, só sossego -
    Como no exílio um rei,

    Gozando da ventura
    - Sossego, só sossego -
    De não ter a amargura

    De reinar, mas guardando
    - Sossego, só sossego -
    O nome venerando...

    Que mais quer quem descansa
    - Sossego, só sossego -
    Da dor e da esperança,

    Que ter a negação
    - Sossego, só sossego -
    De todo o coração ?

    Fernando Pessoa

    Beijos, Teresa, e um feliz dia. :)

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    1. "Oh, o passado morto que eu trago comigo e nunca esteve senão comigo! As flores do jardim da pequena casa de campo e que nunca existiu senão em mim. As hortas, os pomares, o pinhal da quinta que foi só um meu sonho! As minhas vilegiaturas supostas, os meus passeios por um campo que nunca existiu! As árvores de à beira da estrada, os atalhos, as pedras, os camponeses que passam... tudo isto, que nunca passou de um sonho, está gravado na minha memória a fazer de dor e eu, que passei horas a sonhá-los, passo horas depois a recordar tê-los sonhado e é na verdade saudade que eu tenho, um passado que eu choro, uma vida-real morta que fito, / solene/, no seu caixão."

      Fernando Pessoa/ Livro do Desassossego

      Obrigada Maria Admirável; um dia feliz. :)

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  3. Agora estou mais confortável com a almofada. Obrigada :)
    Fernando Pessoa respondeu à pergunta, sim senhora - mais do que viver a vida, é preciso viver o nosso sonho dela.
    Alinhas? :)

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    1. Agora que não está aqui a teresa, eu hilário me confesso:
      Miss Universo, esse é que é o grande desafio! Vamos!

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