Atalhos de Campo


16.8.15

tu homem, eu pássaro

É uma experiência inesquecível dar de comer à mão a um ganso pequeno desde que sai da casca. Como podemos deixar de nos comover com a ingénua confiança, quando ele estica o seu pequenino pescoço frágil, sussurrando com a sua vozinha de falsete para saudar o primeiro ser vivo que se aproxima e que ele supõe ser um dos pais?
Konrad Lorenz/A Agressão

é provável que a evolução filogenética tenha tornado os gansos mais confiantes em relação aos hipotéticos progenitores, mantendo-se a relação de proximidade ao longo do crescimento; verifico tal não acontecer com os pardais que criei nas mesmas condições. a partir do momento em que (felizmente) começaram a alimentar-se sozinhos, deixaram de me reconhecer como tal. penso que isso se deve à sua evolução durante séculos. talvez haja excepções, claro, mas serão raras. esta rejeição a princípio chocou-me, até que percebi que na natureza é mesmo assim. só no homem o amor cresce

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