Atalhos de Campo


30.8.15

Shangri-La

Quando chegares a Shangri-La, tira os sapatos e mantém-te em silêncio, pois só assim ouvirás cantar os pássaros. Ramos de árvores cobrir-te-ão para que à sua sombra possas contemplar o jardim. Da terra sairão braços cobertos de flores, descobrirás uma rosa branca fora do seu tempo. Zínias de todas as cores renascerão das antigas corolas secas, e borboletas brancas continuarão a dançar em sua volta, à luz clara das manhãs de Outono. Os peixes dormirão entre os nenúfares à hora de maior calor, quando as vespas poisam nas folhas para beber água, mas ao fim da tarde senta-te à beira do lago, e verás que virão comer das tuas mãos. Petúnias encostarão suavemente as corolas cerúleas às pedras do caminho. Haverá um gato adormecido no parapeito do tempo, e um gafanhoto de olhos atentos assumirá a cor da folha. Abelhas aspergirão alfazema durante o voo, que será intensa ao entardecer. Um fio de água fresca dançará no vento, quando ouvires tilintar o bambu. Um manto de Allyssum azul cobrirá a tua nudez, e terás no cabelo o aroma da verbena. Um louva-a-deus sairá do seu abrigo entre os malmequeres, quando a Lua ocupar o céu. Poderás sempre partir com as andorinhas, mas não mais voltarás a Shangri-La.    

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