Atalhos de Campo


27.5.15

dentro da rosa dorme um gato

Dentro da rosa dorme um gato
ao fundo do corredor há um relógio de sol
aproximamo-nos pelo lado de dentro
pelo sítio exacto onde descansam duas pétalas
à sombra do teu cotovelo.
Sobre os teus joelhos
já não se cravam os espinhos da casa;
as tuas mãos já não afagam o medo da prosa.
Mas nos teus olhos 
ainda brilha o céu
dos pássaros impossíveis
que voam agora 
pelo lado de fora
para dentro dos meus olhos. 
Desde que na tua rosa
um gato
adormeceu.

(Recordando Manuel António Pina,
que amava gatos)

Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu» e escrevia «rosa»
mas nada me pertencia,
(...)
Manuel António Pina/ Poesia, Saudade da Prosa

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