Atalhos de Campo


13.5.15

Belos, limpos, e bons


























A Lei de Jante é basicamente uma norma social repressiva. Julgo que é comum a todas as vilas ou cidades pequenas, mesmo noutras partes do mundo, embora seja, de facto, um princípio fundamental da sociedade escandinava. Segundo esta norma, não se pode ser diferente, não se é único, mas apenas "um de nós". Mas a Lei de Jante também tem um lado positivo. Está na base do modelo do Estado social escandinavo, face ao qual todos os indivíduos são iguais e devem ser tratados de igual forma, a começar pela família real. Neste sistema, o normal é que se esconda o que se é, para não se ser rejeitado. Mostrar é motivo de crítica e de vergonha. Mas a nova geração está a desafiar a norma. A dada altura, comecei a pensar em escrever sobre mim, sobre o que não é aceitável em mim, sobre as coisas que normalmente não se mostram mas se escondem. E escrevi. E o que descobri como escritor é que a transgressão não acontece no momento em que se escreve mas quando se publica. A minha história tornou-se a história de todos, passou a ser colectiva. Não é especial, mas comum, e essa tem sido, para mim, uma ideia muito forte.

Karl Ove Knausgard
(em entrevista ao Expresso, por Cristina Margato)

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