Atalhos de Campo


21.5.15

a rosa inconveniente



E se um desconhecido lhe oferecer flores...nos anos oitenta aconteceram-me tantas coisas maravilhosas que até um desconhecido me ofereceu flores. Mas nem todas as rosas são convenientes, isto ensina-nos a vida. Há rosas que pesam como chumbo; há rosas interesseiras(outras interessantes); há rosas desmaiadas, que morrem antes de chegar às jarras; há rosas que nunca desabrocharam, conservando intacto o seu mistério, e há rosas que se esperam e nunca chegam. Como lidar com uma rosa inconveniente? As rosas inconvenientes agarram-se a nós, não nos largam, são insistentes, mudam de cor, às vezes são brancas como o sono, outras vermelhas como a paixão. Tenho colecções delas, já morreram, mas voltam, enfiadas nos recantos da memória de amores frustrados, enganos, reconciliações, mas igualmente de alegrias, de serenidades, de realizações. Também eu ofereci rosas, algumas delas compradas aos Qué Frô quando ainda não tinham vendido nada, evitando assim o momento constrangedor da recusa. Naquele mês chegou um ramo de rosas por semana, perante a minha surpresa. Lindo, cada um de cor diferente. Vi-as a definhar, a morrer, impotente, durante um mês inteiro. Sinto que ainda é verdade a frase que ouvi algures, os homens primeiro desejam e depois amam; as mulheres primeiro amam e depois desejam,(pelo menos nos anos oitenta assim era),quando animados por impulsos os homens ofereciam flores às mulheres, que equivocadas achavam que isso era amor. Amor é outra coisa, no amor todas as rosas têm raiz. E nunca me vou esquecer de ti quando entraste em casa com um ramo de rosas no dia da mãe: é que vai haver um dia em que saberei tudo sobre rosas, e já nada sobre mim.

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