Atalhos de Campo


1.4.15

viver no campo

E viver no campo é: acordar em sobressalto com o grito dos pavões, em vez da sirene das ambulâncias; observar dois estorninhos e três pintassilgos em coexistência pacífica no meio do prado amarelo, em vez de usar os binóculos para espiar os vizinhos da frente; fotografar as flores deitada na relva, em vez de fugir aos olhos reprovadores da cidade sem conseguir tirar fotografia nenhuma; plantar gerânios em vasos, em vez de ter flores de plástico nas varandas; apanhar a fruta(e o bicho) das árvores, em vez de comprar fruta estragada (e sem bicho), no supermercado; chegar a casa com uma carraça na perna, em vez de ter uma carraça à perna; encontrar um sapo no hall de entrada, em vez de publicidade ao SAPO; ter um gafanhoto pela manhã no abat-jour do candeeiro, em vez de ir levando com gafanhotos ao longo do dia; ver uma víbora no alpendre, em vez de ser mordida por uma, sem nunca a ter visto; salvar um ratinho na piscina, em vez de dar um gritinho em casa a pedir que o matem; não ter um vizinho giro a quem pedir um limão, por já não saber o que fazer aos limões; ter o colesterol elevado por comer demasiados ovos biológicos, em vez de ter o colesterol elevado por comer demasiado fora... 
(continua?)



(...)    

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