Atalhos de Campo


4.4.15

fricassé de pescada

Ontem, Sexta-feira Santa, era já de noite quando entrei em casa, depois de três horas de jardinagem. O jardim começa a recompor-se e deu as duas primeiras rosas amarelas. Terminei com uma rega porque achei que íamos ter mais um dia sem chuva, e não me arrependi, hoje esteve um dia particularmente quente. A lua, acabada de se levantar no lugar onde o sol nascera, parecia um gato amarelo, enorme e tranquilo enroscado no horizonte, a acordar com as vozes que enchem a casa por estes dias, depois do recolher perfumado pelos primeiros cachos de glicínia, pela lavanda molhada, e pelas frésias. Enfiei-me na cozinha já atrasada, a pescada tinha um aspecto tão fresco que quase apetecia cozê-la e pronto, mas os miúdos não gostam de peixe, muito menos cozido, por isso lá deitei mãos à obra e preparei um fricassé. Correu tudo muito bem até quase ao fim, quando juntei as gemas sem as misturar bem com o limão. O resultado foi ver o ovo a cozer às farripas e o molho a ficar aguado, com um aspecto horrível. Mas resolvi não desistir de salvar o jantar, aumentei o lume e com a colher de pau fui mexendo sempre por entre as postas, até concentrar mais o molho. O resultado foi um elogio, servido com puré de batata e uma belíssima salada de alface e coentros. A quinta já vai dando tudo, menos pescadas.

Sem comentários:

Enviar um comentário