Atalhos de Campo


5.3.15

memória. curta # 4

Seguia pela Avenida da República numa tarde de Julho, há trinta e cinco anos. Levava um vestido de Verão estampado com flores grandes, usava sandálias leves, o cabelo comprido apanhado num travessão. Ia constrangida e atenta. Àquela hora o trânsito era intenso. Ao passar em frente da esplanada do Galeto onde grupos de amigos tagarelavam e riam(saboreando gelados, garibaldis e refrescos), olhou insegura para dentro do saco de plástico da Loja das Meias, que pedira emprestado. Um olho de carneiro devolveu-lhe o olhar, enquanto o saco fazia um shoc-shoc característico. Apressou-se porque descobriu que o saco estava roto e que o passeio tinha ficado tingido por um rasto, ainda que ténue, de sangue. Ao chegar a casa guardou o saco no frigorífico, que previamente havia esvaziado, e recomeçou a estudar anatomia, revendo os músculos da região da cabeça.     

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