Atalhos de Campo


26.3.15

a caixa negra




























(...)
Nesta primavera há duas primaveras- perfume,
ferocidade. Turbilhão azul sem nome.
O sonho irrompe como hastes de cactos, pélago
desordenado.
            - Eu sou a árvore e o céu,
faço parte do espanto, vivo e morto.

Vem a noite. Os céus nocturnos parecem
ter gelado em azul. Vem a noite,
e com a noite interrogo-me:- Existe?
O que existe é monstruoso.
Por trás de mim há uma coisa
que apavora.
            -Ouves o grito dos mortos?
(...)
Herberto Helder/ Húmus 

Airbus A320 da Germanwings, cai nos Alpes franceses
vitimando 150 pessoas, pelo acto suicida do co-piloto 
Andreas Lubitz, de 28 anos.

(...)
Houve crepúsculos do azul dos olhos dessas crianças da escola.

Houve essa cor azul no céu, desse azul que era o do mar. Houve todas as árvores que tinham sido assassinadas. E havia também o céu. Olhei-o. Cobria com a sua lentidão o todo das coisas, com a sua indiferença de cada dia. Insondável.
(...)
Marguerite Duras/ A Morte do Jovem Aviador Inglês

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