Atalhos de Campo


28.3.15

a primeira papoila


























A dona Delfina morava naquele monte onde fui hoje. Ainda lá estão os canteiros cuidados por ela, com maciços de lírios e malmequeres, mas a dona Delfina morreu este ano. Ao longo do caminho, já perto da casa, vi as primeiras papoilas, poucas, quatro ou cinco. Consta que a dona Delfina toda a vida se curvara, para tocar nas flores do campo com o seu olhar muito azul. Com o tempo foi-se aproximando delas, e deixando o céu, que guardava nos olhos. No Outono já não vou comer os seus bolinhos de erva-doce, que vinha entregar com um sorriso aromático, a terra molhada.    

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