Atalhos de Campo


24.2.15

uma dor na cabeça

Eu amo-te
je t'aime/Eu-a-mo-te

Ao ler estas palavras Madeleine sentiu-se inundada de felicidade. Olhou para Leonard, a sorrir. Com um dedo, ele fez-lhe sinal de que continuasse a ler: A figura não se refere à declaração de amor, à confissão, mas à proferição repetida do grito de amor. Imediatamente a felicidade de Madeleine diminuiu, usurpada pela sensação de perigo. Quem lhe dera não estar nua. Encolheu os ombros e cobriu-se com o lençol enquanto, obedientemente, continuava a ler. Passada a primeira confissão, «eu amo-te» deixa de ter significado...Sentado nos calcanhares, Leonard tinha no rosto um sorriso trocista.
Foi então que Madeleine lhe atirou o livro à cabeça.

Jeffrey Eugenides/O Enredo Conjugal

Nota:a propósito de uma leitura de Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes



Cf. Dual(18/10/2014).Atalhos ao sol 
    Testosterona(20/10/2014).Noite
     

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