Atalhos de Campo


31.1.15

O açucareiro de jade

Defendia com a tampa o seu açúcar
Usada como o escudo de um guerreiro 
O que restara de uma tarde de chá
Com vista para a vereda de amoreiras:
As folhas largas, as jovens gargalhadas
Longas écharpes tecidas, e voando
Pequenos bichos na eira tricotando
Chapéus de sol e nuvens, que o vento
De surpresa ia tapando, e destapando.
O lanche acabou porque choveu
E na alegre debandada
Deixado sobre a mesa, o açucareiro
Guardou essa dádiva do céu.
Quando o encontrei anos mais tarde,
Entre as chávenas do aparador
Tinha em vez de açúcar branco,
Um xarope grosso e incolor.

9 de Outubro de 2012 

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