Atalhos de Campo


22.1.15

a caricatura e a kalashnikov

Há uns meses recebi um e-mail anónimo a alertar-me para o facto de determinado bloguer ter publicado um post contra mim. Achei estranho ser, logo eu, um alvo para tal cortesia. O mail começava por me felicitar pelo meu blogue, e depois ia directo ao assunto e asseverava que o tal post era, de facto, contra mim. Fui espreitar: havia uma fotografia, um texto desdenhoso, pessoas assim etc., e uma música. Fiquei a olhar para aquilo, que era obviamente para um tipo particular de criatura que nada tinha a ver comigo, a fotografia sinistra, idem, no fundo era uma crítica aos tempos da outra senhora, comparáveis à Idade Média, e à "Santa Inquisição", ao snobismo, aos tiques de classe, e por aí fora, redundante, bilioso. Não me sentindo atingida nem um bocadinho, achei ridículo e voltei sossegadamente para casa. Mas eis que me dei conta de que me tinha esquecido de ouvir a música, e voltei atrás de propósito, curiosa com a banda sonora. Cliquei na setinha que faz avançar, aumentei o som, e ouvi tiros, em rajada, apenas. Não sei quantos mortos, quantos feridos, nem quantos escaparam ilesos, mas uma coisa é certa, hoje sabemos, melhor do que ontem e talvez, o que é arrepiante, pior do que amanhã, que não somos todos charlie, mas somos todos caricaturáveis, o que não devemos é ser abatidos a tiro, só porque somos diferentes.  

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