Atalhos de Campo


11.12.14

Obrigada

Deve-se aprender a prestar homenagem tanto como a sentir desprezo. Todo aquele que abriu novas vias e aí conduziu muitas outras pessoas descobre, com surpresa, quantas dessas pessoas são desajeitadas e pobres na expressão do seu reconhecimento e como até é raro que esse reconhecimento chegue sequer a manifestar-se. É como se, de cada vez que uma pessoa quer falar, alguma coisa lhe entrasse na garganta e a fizesse engasgar e emudecer. A maneira como um pensador chega a sentir a acção dos seus pensamentos e a sua força transformadora e revolucionária é quase uma comédia. Por vezes, chega a parecer que aqueles que experimentaram essa acção, no fundo, se sentiram ofendidos e, com receio de perderem a sua autonomia, não soubessem exteriorizar esse receio senão com grosserias. São necessárias gerações só para se conseguir inventar uma convenção cortês para exprimir agradecimento. E só muito tarde é que chega o momento em que a gratidão adquire uma espécie de espírito e genialidade. É geralmente nesse momento que se encontra alguém que é o grande receptor da nossa gratidão, não só pelo bem que ele próprio fez, mas também e sobretudo pelo tesouro de coisas elevadas e excelentes que os seus antepassados acumularam a pouco e pouco.

Nietzsche/Aprender a prestar homenagem
A Gaia Ciência

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