Atalhos de Campo


18.12.14

Namoro II

Para Louise Colet
Croisset, noite de sábado, uma da manhã

Dizes-me coisas muito ternas, querida Musa. Eh bien, recebe em troca muitas mais coisas, ainda mais ternas, do que possas imaginar. O teu amor entra em mim como uma chuva morna, e sinto-me ensopado até ao fundo do meu coração. Não possuis tudo o que é necessário para te amar - corpo, mente, ternura? És uma alma simples e mente forte, muito pouco poética, e excessivamente poeta; não há nada em ti que não seja bom, e és como o teu peito, branco e suave ao toque. Aqueles que conheci va, não se te comparam, e duvido que os que desejei te igualem. Tento por vezes imaginar o teu rosto quando fores velha, e suponho que te amarei tanto como agora, talvez ainda mais.
Gustave Flaubert


(...)
Disseste que chegara para mim o tempo de recolher o fruto de uma vida inteira de fadigas e que o último amor de uma mulher era o mais belo. As tuas previsões realizam-se, criança, e esqueço-me inteiramente dos sofrimentos que outrora julgava inevitavelmente associados ao afecto. Continuo a sofrer muito e com frequência, mas nunca por sua causa. Quando ele não tem um tostão para me comprar um ramo de flores, levanta-se antes da aurora e percorre duas léguas a pé para mo colher nos jardins dos arredores. Essa pequenina coisa é o resumo de toda a sua conduta. Ele serve-me, enleva-me, agradece-me. Oh, diz-me que és feliz e eu também o serei. Essa tão bela frase dos dois seres que se amam na terra e fazem um anjo no céu é de Latouche.(...)                              
George Sand
Cartas de Amor/Alfred de Musset e George Sand

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