Atalhos de Campo


29.12.14

historinha de Natal com azul Klein

O azul klein era um pássaro em que ela acreditava. Todas as noites passava pela janela do pintor com aquela luz acesa, luz de estirador, bem entendido, até que conheceu a luz. A luz era suja, e o pintôr tinha uma tezôra de pudar para árvores azuis e paízagens da côr do roza do antónio carneiro, mal precentia um rebento qalqer pudava, e pudou tanto qe acabou a curtar a própria mão e a caza ficou ás escuras 

  Ouve outros omãis qe davam pulus grãdes, e um qe pulô tantu qe saiu pêlo tôpu. esqecime da decor-acção do natal.   

o último parágrafo foi qase tôdo emprestado ao nuno bragança, menos a partir do esqecime; o azul é de Yves Klein 

5 comentários:

  1. Há azuis assim. Outros até cegam.

    Bom dia, Teresa! :)

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    1. Colho um filamento de azul, agora
      que a noite começa a cair, e guardo-o
      num frasco, onde o vejo debater-se
      contra a treva que atravessa a
      transparência do vidro. Quando
      todas as luzes se apagarem, nessa
      hora tardia em que só se ouvem
      a chuva e o vento do lado de fora,
      abrirei o frasco. Se o azul
      sair, e encher a casa com a sua luz,
      não lamentarei ter roubado ao dia
      esse pedaço de céu; se a treva continuar,
      é porque a noite tudo apagou. Mas
      continuo a segurar este frasco fechado,
      onde já não sei o que pus, à espera
      que chegue essa hora em que
      nada mais reste senão abri-lo,
      e soltar o azul.

      Maria, o Nuno Júdice, chamou a isto Experiência; :))
      Beijinhos e um bom dia também!

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    2. O Nuno Júdice é sábio. O meu frasco de azul partiu-se...

      Bom final de Segunda, Teresa! :)

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  2. O azul klein é, de forma fascinante, idêntico à mais bela tinta de escrita jamais feita, a Penman, da Parker, retirada do mercado há uns anos por se falar (talvez imprecisamente, mas ajuda à mística) que usaria cobalto na sua composição.
    O próprio azul é um arco-íris, portanto. Acho que Yves Klein sabia isso.

    Bom dia, Teresa.

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    1. « O azul não tem dimensão; está para além das medidas aplicáveis às outras cores.
      (...)
      Julgo poder afirmar que nos encontramos diante de uma alquimia da pintura, nascida da tensão que a cada instante se regista na matéria (a matéria pictórica), que nos dá a sensação de um banho de espaço mais vasto do que o infinito. O azul é o invisível
      tornado visível.»
      Yves Klein

      ainda tenho um bocadinho,(cada vez menos), dessa tinta, guardada num frasco antigo
      Bom dia, Xilre

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