Atalhos de Campo


10.12.14

dois agradecimentos

Um dia estava na Fnac a folhear o Ulisses, numa tradução brasileira acabada de sair, e passou por mim um homem que comentou en passant: isso é uma chatice. Ainda tive tempo de o olhar de perfil: era alto, magro, moreno, de meia idade, e vestia sobriamente. Seguiu o seu caminho e não o voltei a ver. Prossegui a consulta, agora com a minha incerteza prévia a aumentar a cada minuto, até ao desconforto. Discretamente recoloquei o livro no escaparate e fui à procura de um menos chato. Mas, de vez em quando, assaltava-me uma dúvida, uma vergonha por não ter sequer um único livro do Joyce, nem que fosse só na prateleira. Até que há dias, com um post de Rentes de Carvalho, fiquei mais descansada: não só li uma opinião negativa sobre os livros, mas também sobre o homem; e não é que eu tenha ilusões sobre os autores, acredito muito mais nas obras, mas neste caso fiquei com uma espécie de confirmação, que me deu imenso jeito, agora que o meu tempo está, de facto, contado. 

2 comentários:

  1. Estou muito mais descansado!
    Nunca consegui entrar com a escrita de Joyce e, parece-me que não sou o único.
    Beijos do Tio

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  2. Podia-me ter dito, ...assim tinha entrado no meu título!
    Beijos

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