Atalhos de Campo


16.12.14

Amizade abstrata

Em 1911, Wassily Kandinsky assiste empolgado a um concerto de Arnold Schönberg, e escreve-lhe uma carta que será o começo de uma longa amizade. Kandinsky, que era oito anos mais velho, reconhece na música que acabara de ouvir, as suas novas tendências na pintura. Schönberg agradece-lhe, respondendo que a arte deverá manifestar o inconsciente e Kandinsky acha que pintura deverá libertar-se da lógica e da figuração. Ambos são conhecedores de pintura e de música: Schönberg também era pintor, e Kandinsky compusera pequenas peças musicais para acompanhar os seus traçados pictóricos. Ambos estavam de acordo em que a música deveria transmitir de forma pictórica o inconsciente, e a pintura de forma musical a atonalidade. Desta afinidade resultou uma correspondência abundante, com postais e cartas, acompanhadas por xilogravuras, esboços e fotografias, mantida durante vários anos, sobretudo de 1911 até à Guerra de 1914. Uma amizade consonante, mantida pela dissonância.

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