Atalhos de Campo


4.12.14

a pensar com os meus botões




Comportamo-nos finalmente como personagens, e não como pessoas. 
Isto é uma espécie de Carnaval sem dia próprio, e eu nunca gostei de carnavais.
Ah, mas faltava-me um botão, aquele suplente, que está cosido por dentro da fralda das camisas, que é muito importante: se nos matarem, morre só o duplo, sempre ficamos nós abotoadinhos; se quisermos morrer, matamos só o suplente, esse que vive a fingir. Se quisermos matar alguém é fácil, e ninguém nos acusa de homicídio.
Tudo tem uma vantagem.   

2 comentários:

  1. How many masks wear we, and undermasks,
    perguntava Pessoa (nos poemas ingleses). Mas se as máscaras forem infinitas, o Carnaval é a realidade. Contudo, se nos matarem, morre o arquétipo das máscaras que são feitas à nossa imagem e semelhança. Somos a divindade das nossas máscaras. Assassinarem-nos é, de facto, um Ragnarok.

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    1. Segue-se um curioso e divertido diálogo. Siegfried não sabe o que é o medo e anseia aprender o que seja. Mime só conhece o medo: o mundo é para ele uma fantasmagoria de terrores. Não é que tema ser comido pelos ursos da floresta, ou que receie queimar os dedos no fogo da forja. Uma viva objecção a ser destruído ou mutilado não faz de um homem um cobarde: pelo contrário, é o princípio do homem corajoso. (...), Mime tenta grotescamente ensinar-lhe o que seja o medo. Convoca a sua experiência dos terrores da floresta, dos seus lugares sombrios, dos seus ruídos ameaçadores, das suas secretas armadilhas, das suas sinistras luzes bruxuleantes, dos pavorosos calafrios que apertam o coração.
      Tudo isto não faz mais do que maravilhar Siegfried e enchê-lo de curiosidade, pois a floresta é para ele um lugar deleitoso.

      Siegfried/ Primeiro Acto
      O Wagneriano Perfeito/ Bernard Shaw

      Está um dia lindo Xilre, vou colocar o meu chapéu e passear pelo campo; mais logo, quando acender a salamandra vou ouvir o Siegfried.

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