Atalhos de Campo


20.12.14

a galinha e a guilhotina

Quanto aos animais serem demasiado imbecis e estúpidos para falarem, considere esta sequência de acontecimentos. Quando Albert Camus era ainda rapazito, na Argélia, a avó mandou-o ir buscar ao quintal uma das galinhas do galinheiro. Ele obedeceu e ficou a vê-la a cortar-lhe a cabeça com uma faca e a aparar o sangue numa tigela para não sujar o chão. O grito de morte dessa galinha fixou-se de tal maneira na memória do rapazito que, em 1958, escreveu um ataque violentíssimo à guilhotina. Como resultado, em parte, dessa polémica, a pena capital foi abolida em França. E diz-me agora que a galinha não falava?

J.M.Coetzee/ Elizabeth Costello

2 comentários:

  1. E mais, posso jurar que vi, mais do que uma vez, galinhas a correr já de pescoço cortado. Mensagem subliminar? :D

    Beijinhos, Teresa! :)

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  2. Maria, boa noite, eu vi uma só vez, quando encontrei o empregado de casa dos meus pais, em África, a rir-se que nem um perdido, com a galinha correr sem cabeça, sentado numa lata de azeite; um quadro que poderia dar uma cena de filme. É claro que as galinhas pensam tão bem com cabeça ou sem ela, mas se servirem para que os homens pensem melhor, até vale a pena que algumas sirvam de modelo... :))
    Beijinhos Maria, e boa 2ª feira!

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