Atalhos de Campo


31.12.14

2014

Dedico estes atalhos do ano de dois mil e catorze ao meu filho: pelos dias em que fui feliz, e em que ter mudado de vida não me trouxe arrependimento; pelos dois gatos que adoptei num ferro-velho e que vejo a subir às árvores, pelos borregos que vi nascer e me chamam quando atravesso os campos, pelo canto dos pássaros de madrugada, pela chuva a bater no chão; pelos momentos em que corri para fotografar a luz, e em que pude ouvir música no volume máximo, durante a noite, sem ter vizinhos a reclamar; pela possibilidade de salvar duas vacas do matadouro e doze galinhas e perus da panela; pelas couves e alfaces esburacadas, para poder ver mais borboletas; pelo perfume das rosas, a cor dos gladíolos e o azul das anémonas; pelo som da água a correr no lago onde as carpas comem à mão; pelos passeios com os cães ao fim da tarde; pela última chama, da última brasa, a arder no silêncio; pela lua como aparição e o tecto imenso da noite organizado em constelações; pelas horas intermináveis de pesquisa, pela hipótese de juntar textos, imagens e música, e de deixar este registo de um ano, que se tornou a revisitação desse lugar estranho onde caem folhas, que é o passado.

A todos quantos acompanharam estes percursos, e assim contribuíram para lhes dar vida, um agradecimento especial e votos de um 2015 maravilhoso.    

  

2 comentários:

  1. Feliz é quem pode chegar ao final de um ano e poder desfiar este rosário de belas recordações.
    Sim, belas recordações.
    Mas de todas elas, vais desculpar o velho tio, a que mais me agradou foi a dos buracos nas folhas de alface; não porque eu goste de alface bichada, mas poder ver essa raridade que é, nos nossos dias, ver uma borboleta esvoaçando orgulhosa das belas cores, combinadas em belos desenhos, que ostente nas suas asas.
    Faço votos para que a tua criatividade continue a proporcionar estas belas imagens.
    Um beijo.

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    1. Elas apareciam, de todas as cores; umas eram azuis, outras amarelas e verdes, outras encarnadas, e algumas pintalgadas de indefinidos amores; e assim enquanto regava a couve esburacada voavam felizes lagartas aladas, por entre as flores.
      Ao meu velho Tio que ama as borboletas, (como o velho Churchill amava), um ano cheio de mariposas coloridas e de sal(aladas) ecológicas.
      Um beijo.

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