Atalhos de Campo


24.11.14

o peregrino

As histórias de um passado próximo,(e com isto quero dizer que ainda cabe na nossa vida)ganham uma espessura que lhes dá credibilidade, talvez também e sobretudo, por supormos que as histórias boas que se passaram ao mesmo tempo que nós, de alguma forma também nos aconteceram. Herzog saiu de Munique a vinte e três de Novembro de 1974, (há precisamente 40 anos), e três semanas depois estava em Paris, à cabeceira de Lotte,-uma grande amiga e colega sua, que estivera a morrer-, porque acreditava que essa sua travessia de solidão lhe salvaria a vida. Durante esse tempo, seguiu a pé por campos gelados, atravessou montes, rios, localidades, e dormiu ao relento, em casas abandonadas ou em rulotes. Ao longo da viagem foi escrevendo um diário, que só quatro anos depois seria publicado, escrevendo: só no cinema tomaria isto tudo por verdadeiro. Quando chegou ao pé de Lotte, levava consigo avalanches de silêncio, mas ela sorriu-lhe e compreendeu-o porque sabia que eu era um caminhante, e por isso mesmo um homem indefeso, e fez-lhe a vontade de viver quase mais uma década.

Nota: este texto foi baseado no diário de viagem de Werner Herzog, com o título *Caminhar no Gelo*/ Tinta da China   

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