Atalhos de Campo


24.10.14

Desabitada




(...)
Dizemos:
- Esta sim, tem um quintal e uma mulher com uma faca. Talvez seja possível vivermos aqui, rente ao gume afiado da faca.
  Olhamos o mundo. A cintilação da faca cega-nos.
  O rosto da mulher esvai-se no branco dos muros.
  Perdemo-nos, quando um animal inclina a cabeça para a terra e espera. Mas no fim dessa espera não há nada. O animal inclina-se para a terra, morre.
  A mulher colhe um árum. Talvez nos olhasse de frente, se uma lágrima suja de terra escorregasse pelo rosto. Mas não. A solidão das coisas e dos seres torna-os únicos, intocáveis.
(...)

Al Berto/ O Anjo Mudo
A Casa Desabitada


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