Atalhos de Campo


12.10.14

A janela discreta


Abro a janela todos os dias; reparo nas janelas ali ao lado, se também estão abertas, se as luzes ainda estão acesas, no que leram, se ouviram música ou viram televisão, que filme foram ver, se foram às compras, se jantaram fora, se têm uma nova/o namorada/o, se a vida lhes corre bem ou se andam entediados, taciturnos, irritados. Preparo a minha janela com cuidado, escolho um tema, uma ideia, uma música, uma imagem, uso as minhas rosas, uma árvore sem dono, uma sombra, uma nuvem; escrevo um pequeno texto, às vezes só uma frase, que pode ser uma provocação, ou uma preocupação. Sou fiel às estações do ano, não há papoilas em Setembro. E é assim que eu faço todos os dias, como todos nós, confessando, para esconder a verdade.   

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