Atalhos de Campo


22.9.14

O voo de Suzanne

Se estivesses aqui dava-te o braço, e passeávamos
nas tréguas da chuva por entre choupos e pássaros;
veríamos as galinhas atarefadas a esgravatar na terra
húmida, os borregos tão brancos e juntos a brincar
como crianças num infantário, e as ovelhas a berrar
por eles como mães-galinha; e íamos rindo e vendo,
e parando para tu descansares um pouco o teu olhar da
cor das árvores, tão quietas como este sol submisso
do primeiro dia de Outono. E talvez nos lembrássemos
de quando levei a Suzanne para nossa casa, e aí 
tomaríamos o caminho da ribeira como náufragos 
do passado, ao som daquela voz antiga e consensual
que nos enchia os domingos, até que nos pedias para
pormos - só mais uma vez - o pastelão.
Era a alcunha ternurenta que lhe davas, mas nessa
altura não  sabíamos como agora, porque nos disse,
que uma assinatura não rouba a liberdade.

Ao meu pai