Atalhos de Campo


14.9.14

Luar remasterizado

Volto para o Alentejo, já de noite, depois de um raid cultural  a Lisboa - Woody Allen e muita Fnac - e venho a pensar na minha cidade suja e grafitada.
Volto do Chiado de electrico, faço o percurso antigo no 28, mas agora já não há lugar para me sentar, saio ao cimo da rua e olho para a casa antiga onde morei, que tem a janela aberta onde era a minha antiga sala, mas falta-lhe um brilho ( o do espelho enorme em que se reflectiam as árvores em frente), continuo a pé o mesmo caminho que fazia até às Amoreiras, quando ia ao cinema exactamente à mesma sessão do fim da tarde, a rezar para não encontrar ninguém conhecido, e a pensar na frase de Nietzsche, aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes, enquanto o luar mágico que vejo pelos campos é de lua imensa, e esfarrapada.