Atalhos de Campo


12.8.14

Ontem no jardim de Agosto

Os dias vão gradualmente diminuindo, e as flores também. As anuais tiveram o seu auge com o calor, (quando a extensão dos poentes até à última sombra projectada na terra se fez quente e tarde), e agora começam progressivamente a dar flores mais pequenas, e a secar. O vento arrasta as primeiras folhas desistentes , e acumula-as aos cantos, longe das árvores. Passaram facilmente seis horas de trabalho no jardim, que terminaram com a rega do fim do dia e a água ainda morna a escorrer do regador, enquanto as pegas azuis escuras disputavam o melhor galho para dormir, e o faziam num som único, antes dos grilos. Foi então que reparei numa toranja poisada sobre os montes, que subiu e se foi acendendo como um candeeiro, e um luar frio e aquático invadiu progressivamente tudo. As estrelas morreram ou caíram como as folhas, assombradas por essa fantástica luz da noite. Ontem no jardim de Agosto com cheiro a verbena e alfazema, tivemos uma noite branca do outro lado do sol.