Atalhos de Campo


15.7.14

Sem amigos ou cem amigos?

Mas então será que devemos fazer o maior número possível de amigos, ou devemos seguir o conselho daquele adágio sobre a hospitalidade, que diz, parecendo bater na tecla certa: Nem muitos hóspedes, nem nenhum hóspede. Assim também será adequado dizer-se sobre a amizade, não viver sem nenhum amigo nem ter um número de amigos excessivo, etc. O dito parece adequar-se perfeitamente aos amigos que temos em vista da utilidade, porque seria extremamente trabalhoso pagar a muita gente os serviços prestados, e a vida é curta demais para poder fazê-lo. Assim, ter amigos a mais seria supérfluo para a nossa própria vida privada e impediria que vivessemos bem. Relativamente aos amigos em vista do prazer bastam poucos, tal como o tempero na comida. E a respeito dos amigos sérios, será que devemos ter o maior número possível de amigos deste género ou haverá uma certa medida que delimite as nossas relações de amizade, tal como há um limite para o número de cidadãos numa cidade?

Aristóteles/ Ética a Nicómaco