Atalhos de Campo


10.7.14

« O nosso tempo é todos os tempos. »

  (...)
  Em resumo, é absurdo dizer que algo está morto só porque actualmente há outras formas que nós dizemos traduzirem o nosso tempo.
  Por uma razão simples: o nosso tempo é todos os tempos.
  O que se passa com a ópera não se deve ao facto de ser um espectáculo querido de uma sociedade que se evade através dela para o passado, como se evadiria para outro qualquer passado. Dir-se-á que hoje ninguém assiste à ópera com o mesmo sentimento de identificação com que assistia em 1850, ou no tempo de Mozart. Mas se assim é isso significaria apenas que agora se assiste com mais profundo sentido estético do que então, em que o estético estava muito encharcado de sentimental e psicológico. Mas o erro é outro: é pensar que a ópera tivesse sido mesmo no seu próprio tempo apenas psicologia. Ora nunca o foi.

Eduardo Lourenço/ Tempo da Música Música do Tempo