Atalhos de Campo


1.7.14

Nada na manga

  As ovelhas andam nas pastagens entre cercas, mas é preciso controlá-las de tempos a tempos. Para isso existem uns corredores estreitos para onde elas entram, chamados mangas, palavra bastante explícita. Introduzir aí um rebanho habituado a liberdade, nem sempre é tarefa fácil. Um rebanho é isso mesmo, e basta uma ovelha ter a ideia de voltar para trás, que todas as outras tentam segui-la; a ideia de uma, a força do grupo. 
   Ovelhas na manga significa controlo; de quê? No verão, de míases que se instalam nas cavidades naturais e nas feridas, que é preciso desinfectar, de claudicações por problemas nos cascos, ou outros, da separação das ovelhas adultas dos borregos que tiverem idade para recria, das análises ao sangue para despiste de doenças infecto-contagiosas e das desparasitações, das ecografias para diagnóstico de gravidez, e finalmente, da organização do rebanho por grupos, animais em gestação para um lado, borregos para outro, malatas para outro, carneiros juntos com as ovelhas, ou separados, dependendo da fase reprodutiva.





   A altura da recria, com a separação das mães, é especialmente instável para o rebanho: as ovelhas passam o tempo a balir, a chamar,  e os borregos a responder, separados por algum espaço entre cercas, até que decorram dias suficientes, e que gradualmente se adaptem às novas condições.
   Lembro-me de uma jovem fêmea, no inverno passado, que após ter perdido a cria, que se tentou salvar sem sucesso, e de ter sido separada para integrar um grupo diferente, vir todas as tardes até à cerca por onde passavam as outras ovelhas com os  cordeiros, ao recolher, ali ficando recortada no anoitecer e no frio, até desistir.