Atalhos de Campo


26.7.14

De uma estação para a outra

Nunca vivemos juntos a mesma estação. Quando nasceste eu já tinha ultapassado a Primavera, e um dia, devias ter três anos, cheguei a casa da tua bisavó para te buscar, e encontrei uma parede toda pintada com caneta de feltro. Lembro-me de me apetecer dar-te uma palmada e limpar tudo, mas depois achei melhor ir buscar uma bacia com água e detergente e ensinar-te a limpar. Assim aconteceu, e nunca mais te apeteceu repetir a pintura; talvez ao longo do meu Verão e agora do teu, tanto um como outro tenhamos ensinado desta maneira, porque acabamos por ensinar da mesma forma que aprendemos, mas o grande desafio, só agora sei, é a capacidade que o Outono tem de perceber finalmente os erros que errou ou não nas outras estações, pela maneira como as viveu.


Então o Inverno poderá serenamente concluir, quando nos soubermos sozinhos, que a próxima Primavera já não será nossa, mas que algo de nós permanecerá, de bom ou não.